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Por que o assessor da Faria Lima quase tem um infarto quando você decide fazer um investimento imobiliário ?

15 de set.
4 min de leitura

Experimente dizer ao seu assessor de investimentos ou consultor de corretora que você vai resgatar uma parte substancial da carteira para comprar um terreno, um galpão comercial ou um conjunto de salas.


Observe a expressão dele. O sorriso treinado congela, as pupilas dilatam e, em menos de três segundos, ele saca um gráfico de rendimento composto do CDI contra o rental yield de um estúdio de 24 metros quadrados. Ele vai jurar que você está cometendo o maior erro da sua vida financeira, vai listar o ITBI como se fosse uma tragédia bíblica e tentará convencê-lo de que a única inteligência possível no capitalismo moderno cabe numa lâmina de fundo multimercado.


Mas sejamos francos: por que esse incômodo quase físico?


A resposta que ninguém dá em evento corporativo é simples: taxa de custódia e comissão de rebate não sobrevivem a tijolo, terra e concreto.


Quando o seu dinheiro está sob a custódia da instituição, ele alimenta a métrica de Assets under Management (AuM) da mesa. Ele gera taxa de administração, taxa de performance, corretagem e rebate recorrente para quem recomenda o produto. No instante em que você assina uma escritura pública de compra e venda, aquele patrimônio deixa a planilha dele e vai para a vida real. O assessor não está apenas preocupado com o seu retorno; ele está de luto pelo patrimônio que escapou do ecossistema que o remunera.


Agora, antes que os apaixonados por imóveis comecem a bater palmas, segurem a euforia. O outro lado dessa história é tão desconfortável quanto.


O fetiche do tijolo: onde o brasileiro enterra a razão para viver de ilusão


O brasileiro tem uma relação quase religiosa com imóveis: "Quem compra terra não erra", "imóvel ninguém toma", "tijolo é dinheiro de verdade".


Essa herança cultural tem raízes compreensíveis na nossa memória inflacionária caótica dos anos 80 e 90. O problema é que o mercado mudou, o século virou e muita gente continua investindo com a cartilha emocional dos seus avós. É amor demais e raciocínio técnico de menos.


Quer uma prova irrefutável de que imóvel físico não é garantia mágica de prosperidade?


Um levantamento recente publicado pelo Valor Econômico e repercutido pela ABECIP revelou que os cinco maiores bancos brasileiros acumulam cerca de R$ 10 bilhões em imóveis retomados em seus balanços. São mais de 27 mil propriedades paradas nas mãos das instituições financeiras decorrentes de inadimplência e operações que deram errado.


Se imóvel fosse sinônimo infalível de segurança e lucro eterno, os bancos não estariam sentados em cima de montanhas de ativos retomados, quebrando a cabeça para desovar esse estoque com deságios agressivos em leilões.


O investidor comum adora inflar o peito para falar do "apartamento que valorizou", mas é incapaz de abrir uma planilha para colocar na ponta do lápis:


  1. A Depreciação Física Real: Edificações envelhecem, canos estouram, fachadas degradam, padrões construtivos ficam obsoletos. Se você não reinveste capital contínuo, seu ativo está apodrecendo em silêncio.


  1. Custos Ocultos (Manutenção Preventiva e Corretiva): Troca de prumadas, impermeabilização, reformas estruturais, cotas condominiais extraordinárias.


  1. O Grau de Saturação da Região: Quantos lançamentos idênticos estão sendo erguidos no mesmo raio de 2 quilômetros? O investidor amador compra na euforia e descobre a saturação quando o imóvel fica 18 meses com a placa de "Aluga-se", acumulando IPTU e condomínio no bolso dele.


  1. Ausência de Estudo Mercadológico Sério: Compra-se por impulso estético ou porque o corretor disse que a região "vai explodir", sem uma análise técnica de vocação urbanística, dinâmica viária ou demanda real de absorção.


Papel vs. Concreto: A ilusão da blindagem absoluta


A grande ironia é que tanto os fundamentalistas da Faria Lima quanto os saudosistas do tijolo vendem a mesma ilusão: a de que seus ativos existem dentro de uma bolha impenetrável.


Nenhum investimento opera no vácuo. O mundo exterior não pede licença:


  • Política Econômica e Descontrole Fiscal: Juros nas alturas corroem o valor presente dos imóveis e paralisam lançamentos. Ao mesmo tempo, a famosa "renda fixa de longo prazo" sofre um banho de sangue com marcações a mercado negativas que assustam o investidor desavisado.


  • Guerras e Tensões Geopolíticas: Conflitos armados e rupturas de rotas comerciais explodem o custo de insumos básicos (aço, energia, fertilizantes), bagunçam a taxa de câmbio e desestabilizam mercados de capitais da noite para o dia.


  • Gestão Empresarial Desastrosa e Risco de Contraparte: No mercado financeiro, empresas centenárias quebram e fundos com rating "AAA" sofrem calotes por fraudes contábeis. No setor imobiliário, incorporadoras irresponsáveis quebram no meio da obra, arrastando o sonho de centenas de famílias para disputas judiciais sem fim.


  • Eventos Climáticos Extremos e Catástrofes: Enchentes sem precedentes, deslizamentos e tempestades destroem microrregiões inteiras em poucas horas. Aquele imóvel tido como "eterno" de repente torna-se inabitável, sem seguro viável e comercialmente morto.


O duplo padrão: por que aceitamos conselho financeiro, mas tratamos imóvel como intuição?


Se você tem R$ 5 milhões líquidos, você não entra na bolsa comprando ações de uma empresa de tecnologia simplesmente porque "achou o logo bonito". Você contrata assessores, ouve analistas certificados, estuda balanços, múltiplos de valuation e projeções de fluxo de caixa.


Por que cargas d'água, então, quando o assunto é o mesmo montante em patrimônio imobiliário, as pessoas decidem com base na intuição de domingo à tarde?


Do mesmo jeito que existem consultores e estrategistas de investimento para o mercado de capitais, existem consultores imobiliários e peritos em inteligência de mercado — profissionais preparados para analisar viabilidade econômica, vocação do solo, índices de depreciação, curvas de demanda e segurança jurídica.



Consultoria imobiliaria, klouczek, avaliação de imoveis


Hora de amadurecer o debate


O mercado financeiro precisa parar de demonizar o ativo imobiliário por mero desespero de perder saldo sob custódia. Terrenos estratégicos, galpões logísticos e ativos de renda bem estruturados continuam sendo os maiores geradores de dinastias e proteção patrimonial da história da humanidade.


E o investidor imobiliário precisa, com urgência, descer do pedestal do orgulho cultural e aposentar o romantismo.

O mercado financeiro vive de números; o mercado imobiliário amador insiste em viver de sentimentos.
Dinheiro na tela sem lastro físico é refém do vento. Tijolo sem inteligência de mercado é entulho com IPTU.
Não case com seus ativos. Pare de investir com paixão e comece a exigir da terra a mesma disciplina matemática que você cobra dos números.


 
 
 

Comentários


Cesar Klouczek Santana executivo da klouczek.png

Olá, sou o Cesar,

Ao longo de mais de três décadas no mercado imobiliário, compreendi que desenvolver, avaliar ou transformar um imóvel é, antes de tudo, cuidar das pessoas que irão viver, trabalhar e construir histórias naquele espaço.

 

Foi essa experiência que consolidou em mim uma visão orientada pelo conceito de wellness: criar ambientes que promovam saúde, segurança, equilíbrio, pertencimento e qualidade de vida, ao mesmo tempo em que valorizam os ativos e fortalecem o capital humano e social das organizações.

 

Em cada casa entregue, compartilhei a emoção de uma família; em cada imóvel comercial, torci pelo sucesso de quem ali iniciava um novo negócio; e, em cada projeto, bloco ou tijolo levantado, reconheci a responsabilidade de construir não apenas patrimônio, mas condições para uma vida melhor.

 

Aos familiares, amigos, clientes e parceiros, deixo minha profunda gratidão pela confiança depositada ao longo dessa trajetória. Minha carreira foi construída com verdade, ética e respeito, sustentada pela convicção de que o verdadeiro valor de um empreendimento está em sua capacidade de gerar prosperidade, bem-estar e felicidade duradoura.

​

Porque construir espaços é importante, mas construir vidas melhores é o verdadeiro legado.

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